Seria como tocar defafinada e desarmoniosamente e esperar a crítica das poucas centenas pessoas que, no mundo inteiro, fossem capazes de se alhear da total barafunda sonora e encontrassem uns compassos perdidos no meio do caos musical.
A arte deve ser universal. Deve dar prazer tanto ao catedrático de Harvard como ao pigmeu da selva africana.
Fazer "arte" imperceptível à maioria é, das duas uma, uma incapacidade de fazer efectivamente algo bom (quem não considera belo o tecto da capela cistina? ou a 9ª sinfonia de Beethoven? é pouco cativante? é "muito parada"), ou um profundo acto de egoísmo, não permitindo que todos sejam capazes de usufruir desse prazer. Como não acredito muito na segunda hipótese, creio que a maior parte daqueles que fazem esse tipo de "arte" fazem-no mesmo por falta de talento.
É mais fácil alguém agarrar-se a clichets artísticos, especialmente àquelas na moda em determinado momento e fazer algo que algumas pessoas do meio gostam, que superar esses clichets, desconhecidos pela maioria, ignorando modas efémeras, e agradar até àqueles que desconhecem modas e clichets.
in Os Amendoins do Ricky (comentando Red Beard)
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